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DEPOIS DE LER FRANZ KAFKA

Deitado, ouvindo cânticos gregorianos para acalentar a alma, pensamentos me atordoam Uma angústia terrível se apossa de mim Estou perdido, como se estivesse numa floresta sem saber o caminho que me tiraria dela Vejo vultos, ouço ruídos, fico estático Fadado a permanecer no tempo presente, mesmo que o passado me empurre para o futuro e o futuro jogue-me de volta para a posição inicial, ambos me são inalcançáveis.

Mapa do acaso

O tempo O temporal Teu Temperamento habitual A rua A lua Tua  Boca molhada O rio O brio Teu Riso, felicidade  As estrelas As estradas Tuas Palavras, me consolam  Sou Estou Apaixonado. (Adrianus Martini)

O ESTARDALHAR DOS SILÊNCIOS

Tudo começou dentro de um coletivo. Eram precisamente 19 horas de uma quinta-feira. Estava a ouvir música com o fone no ouvido, de repente o barulho, vidros no chão. Corpos? Ainda não era possível saber. Causava estranheza a inércia dos outros passageiros, agiam como se nada tivesse acontecido. Nenhum olhar de espanto, não havia a curiosidade característica dos transeuntes nesse tipo de situação. Não sabia se agia com o impulso do momento e levantava para ver ou se manteria a lucidez descuriosa da qual pensava diferenciá-lo dos outros homens. Pensou que talvez aquele barulho houvera sido coisa de sua cabeça, teria passado um dia cheio de afazeres e trabalhos, o cansaço era visível. Escutava uma música de Elis Regina cujo um trecho dizia “o que em algum tempo era novo e jovem, hoje é antigo e precisamos todos rejuvenescer”, começou a pensar no que se passava na cabeça dos passageiros. A maioria, provavelmente, estava voltando do trabalho, à caminho de casa. Por fim, o ônibus c...

Tempo, tempo, tempo

Passam-se os dias O coração palpita como que querendo pular do peito Angústia, mais angústia, tristeza… depressão! A solução? Não existe. Drogas lícitas, ilícitas, prescritas Poéticas-literária, música para sentir Drogas visuais, Netiflix, futebol, jornal Nada! Desabafar? Com quem? As pessoas vivem correndo Não entenderiam, mesmo que fosse possível explicar Mas sempre haverá o amanhã Onde é possível não mais sentir o hoje Novos dias trazem significados variados. (Adrianus Martini)
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Dizem as boas línguas Que da favela pode-se ouvir a voz do povo Não a do magnata do petróleo A do empresário cuja empresa tem ações na bolsa Nem a do grande latifundiário Mas sim a de um povo que não tem rosto Um povo que têm direitos negados E que são escondidos nas áreas periféricas Por aqueles que querem se manter no poder Oxalá chegue o grande dia, onde o povo da voz Chegue à ação! (Adrianus Martini)

CATEQUESE DO MARTÍRIO

A vida está de frente para mim É duro tomar decisões cruciais Que interferem de forma definitiva Naquilo que estou me tornando. Ela também faz eu ter mudanças repentinas de humor Pela manhã estava feliz, a tarde triste, a noite angustiado Mas na maioria das vezes, indiferente Um indiferença que dói na alma, como uma faca perfurando o coração. Ontem me sentia artista Hoje, poeta do impossível Amanhã, ninguém! Como resposta a isso tudo Ela simplesmente me olha nos olhos e diz: “Eu sou feita do imponderável”. (Adrianus Martini)

SOFRIMENTO EXTEMPORÂNEO

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(Adrianus Martini) Há dores passageiras Dores que curam com medicamentos Um machucado, alguma doença tratável. Mas existe uma dor que nunca tem cura Ela vai e vem como um resfriado, talvez mais Também não há um manual para tratá-la. A dor da alma é, sem dúvida, a pior de todas É sentir-se só com pessoas em volta É aparentar está feliz e morrendo por dentro. Quem sofre dessa dor procura meios fugaz Algo que os liberte de forma temporária Da solidão de viver na multidão.