Dizem as boas línguas Que da favela pode-se ouvir a voz do povo Não a do magnata do petróleo A do empresário cuja empresa tem ações na bolsa Nem a do grande latifundiário Mas sim a de um povo que não tem rosto Um povo que têm direitos negados E que são escondidos nas áreas periféricas Por aqueles que querem se manter no poder Oxalá chegue o grande dia, onde o povo da voz Chegue à ação! (Adrianus Martini)
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CATEQUESE DO MARTÍRIO
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A vida está de frente para mim É duro tomar decisões cruciais Que interferem de forma definitiva Naquilo que estou me tornando. Ela também faz eu ter mudanças repentinas de humor Pela manhã estava feliz, a tarde triste, a noite angustiado Mas na maioria das vezes, indiferente Um indiferença que dói na alma, como uma faca perfurando o coração. Ontem me sentia artista Hoje, poeta do impossível Amanhã, ninguém! Como resposta a isso tudo Ela simplesmente me olha nos olhos e diz: “Eu sou feita do imponderável”. (Adrianus Martini)
SOFRIMENTO EXTEMPORÂNEO
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(Adrianus Martini) Há dores passageiras Dores que curam com medicamentos Um machucado, alguma doença tratável. Mas existe uma dor que nunca tem cura Ela vai e vem como um resfriado, talvez mais Também não há um manual para tratá-la. A dor da alma é, sem dúvida, a pior de todas É sentir-se só com pessoas em volta É aparentar está feliz e morrendo por dentro. Quem sofre dessa dor procura meios fugaz Algo que os liberte de forma temporária Da solidão de viver na multidão.
AS PALAVRAS
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Sou poeta dos menores, talvez pequeno escrevendo sobre coisas pequenas. O mundo se resume ao meu quarto Falo dos amores que não tive dos sonhos nunca realizados e de minha solidão de poeta. Escrever é o maior ato de coragem daqueles que não se expressam. Ao meu modo vou enxergando o tudo e o nada As palavras definem quem sou, e não o contrário. Aos poucos vou descobrindo essa verdade: A palavra sem mim existe, eu sem a palavra sou nada. (Adrianus Martini)
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Fazemos parte de um grande xadrez no qual somos coadjuvantes. Peões, fáceis de descartar, na linha de frente prontos para ser os primeiros a se sacrificar. Muitas vezes temos deslumbres de irracionalidade e achamos estar no controle, mas essa é a máxima do sistema: o sistema existe para te manter livre. Tal liberdade, ilusória que é, nos mantém adestrados para manter a máquina funcionando, não podemos tomar consciência, uma vez que peão não pode se revoltar, é contra a lei natural das coisas. Adrianus Martini
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A dor que sinto diariamente é aquela de quem se perdeu de si mesmo e não sabe como se achar. Amei como muitos, sou infeliz como ninguém. Porque cada um tem seu sofrimento particular. As coisas nos são dadas e tiradas com uma velocidade assustadora, e não estamos preparados para isso. A gente vai vegetando enquanto o grande dia em que passaremos ao nada não chega. (Adrianus Martini)