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SOFRIMENTO EXTEMPORÂNEO

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(Adrianus Martini) Há dores passageiras Dores que curam com medicamentos Um machucado, alguma doença tratável. Mas existe uma dor que nunca tem cura Ela vai e vem como um resfriado, talvez mais Também não há um manual para tratá-la. A dor da alma é, sem dúvida, a pior de todas É sentir-se só com pessoas em volta É aparentar está feliz e morrendo por dentro. Quem sofre dessa dor procura meios fugaz Algo que os liberte de forma temporária Da solidão de viver na multidão.

AS PALAVRAS

Sou poeta dos menores, talvez pequeno escrevendo sobre coisas pequenas. O mundo se resume ao meu quarto Falo dos amores que não tive dos sonhos nunca realizados e de minha solidão de poeta. Escrever é o maior ato de coragem daqueles que não se expressam. Ao meu modo vou enxergando o tudo e o nada As palavras definem quem sou, e não o contrário. Aos poucos vou descobrindo essa verdade: A palavra sem mim existe, eu sem a palavra sou nada. (Adrianus Martini)
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Fazemos parte de um grande xadrez no qual somos coadjuvantes. Peões, fáceis de descartar, na linha de frente prontos para ser os primeiros a se sacrificar. Muitas vezes temos deslumbres de irracionalidade e achamos estar no controle, mas essa é a máxima do sistema: o sistema existe para te manter livre. Tal liberdade, ilusória que é, nos mantém adestrados para manter a máquina funcionando, não podemos tomar consciência, uma vez que peão não pode se revoltar, é contra a lei natural das coisas.                                             Adrianus Martini 

RESUMO DA ÓPERA DO SER

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Por Adrianus Martini

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A dor que sinto diariamente é aquela de quem se perdeu de si mesmo e não sabe como se achar. Amei como muitos, sou infeliz como ninguém. Porque cada um tem seu sofrimento particular. As coisas nos são dadas e tiradas com uma velocidade assustadora, e não estamos preparados para isso. A gente vai vegetando enquanto o grande dia em que passaremos ao nada não chega.   (Adrianus Martini) 
Eu podia te amar para sempre Se acaso o sempre existisse E o tempo não fosse tão devastador. Somos tão ignóbeis diante do amor! Ele mexe com a gente, faz tremer na base E iludidos que somos acreditamos piamente. E de repente, de forma desanimadora Acaba-se planos, sonhos e aventuras A semente plantada não dá frutos, apodrece. O que fica são sensações do acaso O que poderia ter sido e não foi E a esperança de que aquele mesmo tempo uma hora apague tudo! (Adrianus Martini)

O QUE HÁ DE EFÊMERO É TAMBÉM O QUE HÁ DE BELO

Jovem, cheio de conjecturas e inquietações, sem uma noção exata do que se conspirava ao seu redor. Olhos sombrios carregando a tristeza do não pertencimento. Por vezes desgostava das coisas supérfluas, tendo tudo por vã: os bens, os valores sociais e as pessoas cuja a vida se resume na acumulação egoísta de bens, mas que no final são pobres em experiência. Foi apresentado as agruras da vida pelo nascimento: mocambo, chão batido, barro vermelho em contraste com o telhado de varas irregulares e pretas pela fumaça da cana queimando, sua genitora, a parteira, a tesoura... e eis que o verbo se fez grito! Cresceu querendo ser alguém no mundo, descobriu que como ele haviam muitos ninguéns. O universo era só uma representação abstrata, sensações limitantes do acaso, ainda assim pensou ser grande e ao pensar desvendou o mistério de existir como num paradoxo Cartesiano, ”vivemos para não morrer”, uma declaração tão óbvia, porém tão profunda a ponto de despertar o senso crítico de nosso ...