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Fazemos parte de um grande xadrez no qual somos coadjuvantes. Peões, fáceis de descartar, na linha de frente prontos para ser os primeiros a se sacrificar. Muitas vezes temos deslumbres de irracionalidade e achamos estar no controle, mas essa é a máxima do sistema: o sistema existe para te manter livre. Tal liberdade, ilusória que é, nos mantém adestrados para manter a máquina funcionando, não podemos tomar consciência, uma vez que peão não pode se revoltar, é contra a lei natural das coisas.                                             Adrianus Martini 

RESUMO DA ÓPERA DO SER

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Por Adrianus Martini

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A dor que sinto diariamente é aquela de quem se perdeu de si mesmo e não sabe como se achar. Amei como muitos, sou infeliz como ninguém. Porque cada um tem seu sofrimento particular. As coisas nos são dadas e tiradas com uma velocidade assustadora, e não estamos preparados para isso. A gente vai vegetando enquanto o grande dia em que passaremos ao nada não chega.   (Adrianus Martini) 
Eu podia te amar para sempre Se acaso o sempre existisse E o tempo não fosse tão devastador. Somos tão ignóbeis diante do amor! Ele mexe com a gente, faz tremer na base E iludidos que somos acreditamos piamente. E de repente, de forma desanimadora Acaba-se planos, sonhos e aventuras A semente plantada não dá frutos, apodrece. O que fica são sensações do acaso O que poderia ter sido e não foi E a esperança de que aquele mesmo tempo uma hora apague tudo! (Adrianus Martini)

O QUE HÁ DE EFÊMERO É TAMBÉM O QUE HÁ DE BELO

Jovem, cheio de conjecturas e inquietações, sem uma noção exata do que se conspirava ao seu redor. Olhos sombrios carregando a tristeza do não pertencimento. Por vezes desgostava das coisas supérfluas, tendo tudo por vã: os bens, os valores sociais e as pessoas cuja a vida se resume na acumulação egoísta de bens, mas que no final são pobres em experiência. Foi apresentado as agruras da vida pelo nascimento: mocambo, chão batido, barro vermelho em contraste com o telhado de varas irregulares e pretas pela fumaça da cana queimando, sua genitora, a parteira, a tesoura... e eis que o verbo se fez grito! Cresceu querendo ser alguém no mundo, descobriu que como ele haviam muitos ninguéns. O universo era só uma representação abstrata, sensações limitantes do acaso, ainda assim pensou ser grande e ao pensar desvendou o mistério de existir como num paradoxo Cartesiano, ”vivemos para não morrer”, uma declaração tão óbvia, porém tão profunda a ponto de despertar o senso crítico de nosso ...

"PREMIADOS"

Um punhado de gente maltrapilha A terra, a lama, a cana O riacho, a água insalubre da cacimba, a sede O facão, a mão calejada, o silêncio das palavras O prêmio: uma servidão moderna, um salário miserável. (Adriano Martins)

Crônica de uma viagem

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CRÔNICA DE UMA VIAGEM Um dia antes da viagem fico numa ansiedade perturbadora, quero dormir cedo para que as horas passem rapidamente e logo raia o dia. Acordo por volta das cinco da matina, tomo banho, não tenho apetite para o desjejum, verifico se está tudo em ordem na pequena mochila. A viagem é de apenas um final de semana, não precisa levar muita coisa, mas sempre peco pelo excesso. Primeiro ônibus, Linha do Tiro, desço no Parque Treze de Maio e lá pego o Recife/Goiana, é a parte mais longa da viagem, mas também a mais prazerosa. A paisagem com imensas áreas de cana vai se intensificando na medida em que saímos da Região Metropolitana e adentramos na Zona da Mata pernambucana. Chegando em Goiana tenho que esperar minutos, talvez horas pelo Goiana/Timbuaúba – via Upatininga. Já no ônibus o caminho é mais curto mas a paisagem repetida como se fosse cópias: um imenso canavial com pequenos fragmentos do que outrora se chamava de Mata Atlântica. Chego finalmente na área distri...